19 November 2009

Pois é de verdades inventadas que se vivem os loucos
do rosto, aos erros de português
a intuição aponta um lado
ego ou sabedoria?
do erro faço outra história
para amigos ou para os loucos
que acreditam que os erros sao acertos
do invisivel se faz visível amigos ou os egos vao indo
como sempre, para um mesmo lugar

ou não
perdi meu chapéu meu diploma minha escola
mas nao perdi minha coragem de errar

26 October 2009




Gatinha Frida do Camac sur Seine e o outono da cena proxe du Seine

24 October 2009





Imagens subtraídas da noite, onde tudo se recolhe e fica um pouco de luz, e o iso aumenta para que se experimente um pouco de si mesmo. Daniel, do Mexico, fez parte de duas cessoes noturnas comigo. Fiz uma unica sozinho, com os fantasmas tranquilos de Marnay.

22 October 2009





07 October 2009

No interior da França de mim mesmo

Uma noite mal dormida. A velocidade do avião e as ideias se perdendo no tempo ,ou se fortalendo. Cada instante imortalizado, farei um resgate do meu velho e novo mundo.
No pátido do aeroporto de Orly, vi a Eifel de relance, longe e negra. O dia cinza e abafado, a primeira imagem, as pichações nos túneis do metrô e a arquitetura clássica confortando minha literatura atmosférica, quase erótica - lembro de como eu gostava da luz do meu abajur num quarto velho, em Porto Alegre - uma questão de estar bem, em um lugar imaginário ou inspiração parisiense, seja como for, referências e ficção em conjunção é característica do meu jeito de viver. As meninas, entendi a moda ao revés...todas e muitas lindas e charmosas, é verdade. E pareciam que iam falar em português a qualquer momento. Paulistas, porto-alegrenses, vestidos pretos de algodão, blusas finas, camisa branca. Quando sai das galerias do metrô, uma grua e uma câmera acompanhava a minha explosão visual. Vi algo que para mim só poderia ser a Gare du L'est. Vi as cadeiras e as mesas de uma espécie de bar - procurei rapidamente no meu arquivo mental mas não encontrei o lugar - perguntei pra dois homens algo como: Ce la a Gare du train? Oui, ce la Gare du l'est, algo assim. Caminhei como adolescente apaixonado. Na esquina, uma rua grande que nao vi sinaleiras e quando um senhor se jogou na frente dos carros aproveitei meu peso e rolei até a esquina: quando vi o L'ecu du France, um café que Annais Nin tomou com Artaud, em 1934. Creio que eles se beijaram ali, não posso dar certeza. Me atrapalhei para comprar o billet. Mas consegui. Sebastian me emprestou o celular depois de eu ser expulso com gentileza, por um chato clássico executivo, da primeira classe do vagão. Mas isso foi engraçado. E telefonei para Mayra pois não queria me envergonhar em francês. Sebastião depois me ajudou, em Troyes, a comprar mais um billet, para Nogent. De Nogent liguei para Mayra.
Pulando muitos passos, conheci Daniel, do México. Um jovem de uma simplicidade e honestidade espiritual. Saimos fotografar por duas noites consecutivas e duas tardes quando ele descobriu que teria que ir embora, por motivos burocráticos. O Camac, onde estou, é uma casa, um centro de artes para residentes de arte, e literatura, música..., desenvolverem seus projetos. Como um albergue para artistas. Há studios incríveis com vista para o Sena, e um predio, lindo, de 400 d.C. Mayra volta amanhã da Suiça e contará sobre seu trabalho sobre Nietzsche. Ansio por novidades.
Amanhã tem vernissage e virá um ônibus lotado de Paris. Estou no lugar certo, mas como sempre um peixe fora d'água - não estou preocupado com isso porque já compreendo que cada um é um único no mundo e logicamente devo ficar feliz por me sentir assim - no deserto me sinto só, e no centro das artes tateando forma, procurando as portas da minha alma para encontrar o meu melhor ser. Domingo fui ao La Seine ler e escrever. Amanhã pesquisarei mais sobre as pessoas daqui. Uma vez que já estudei bastante as silhuetas e movimentos das nuvens, e a lua. As ideias vão se organizando, calmamente, como gosto de falar. Ainda não sei onde isso vai parar mas ando organizando minha ida para Paris, neste fim de semana, e no próximo, uma vez que terá concerto dos Pixies, e Nouvelle Vague assim por diante parece que estou num caminho musical. Por certo meu vídeo será todo inspirado e diluido na música, e nos sons das folhas do outono, no vinho de escorrega a garrafa e gira na taça - mas não posso me lembrar dos lábios molhados das telas e fotografias da memória, porém esse cheiro de hortelã que tem no ar desta vila conduz meus sonhos, flutuo toda noite como poesia instantes depois de ser feita. O iogurte de pêssego lembrou um que comi quando era muito pequeno. Ando sendo o suspiro, e não suspirando tanto, portanto a França é um canto especial para amar os meus próprios cantos inconscientes descobertos nas semelhanças com o presente. Ando gostando de caminhar e andar de bicicleta, para esquecer da textura da primavera no íntimo das pessoas especiais e brasileiras. Esses caminhos fazem bem para o homem. Voar para longe do ninho e assistir todo o movimento interno, e o mundo. O que é mundo, o que é mente, o que o mundo mental? Para onde que vou com tantas lembras, e quais me servem para a arte, para o futuro como ser? Então descobri que ando vivendo a primavera no meu ser, por isso que o outono está tão vibrante. Eu sou o carnaval em locais eruditos. Como um dadaísmo dentro de igrejas, e o Rock nas salas românticas. Sou um sambinha num centro budista. Música clássica, um piano, trompete de jazz quando todos querem ver uma novelinha. É bom, e complicado, porém a minha Paris vai ser sempre única. E a novidade, renovadora. Posso amar ainda mais.

19 September 2009

na capoeira das mensagens o meu único encontro é aquele que não fiz esforço
o sol bateu na escrivaninha e refletiu um calor no meu rosto
que poderia ficar aqui horas sobre o toque do nariz na pele mas o caso é que vento levou todo mundo pra fora do meu mundo e restou o último dos momentos chet baker
consigo ouvir qualquer música porque estou livre
mas tive que tirar da sequencia das mais ouvidas porque se se ouviu demais é porque tem muita história e minhas histórias são de um cinema que só eu gosto e a escrita hoje não pode ser egoísta
e os fantasmas não farão boas cenas
não é facil haver os duplos nos astros
e que a busca pela simbologia, e essa análise semiótica da vida como obra de arte
distancia o homem das atividades ignorantes, as minhas mesmo que vejo nos outros, ou dos outros que vejo em mim, e que o julgamento ou deixar assim nos leva a um lugar misturado baderna, pois a festa é uma reinvenção na ausência dos sentidos
cada um com seus rígidos sentidos numa caça a alegria
os caminhos falsos
hoje a tarde é para esvaziar a mente e para um banho quente
poderia se reinventar as termas com jazz
e o silêncio com amor

03 September 2009

Estava no corredor quando ouvi uma trovoada a centenas de km no céu. Corri até a sacada, alegre, veria arte na cidade sem sair de casa. Naquela hora tinha mais cara de um grande concerto, ópera lynchiniana, teatro mágico, porque não haviam carros, vi apenas um junk cruzar a rua, o que não trouxe realidade pra cena, e os sinais abrindo e fechando. Era um lindo cenário. Até mesmo o junk, para os raios eram como aqueles gatos pretos nos filmes que servem apenas para alertar, ou não tanto, era como sacos de lixo vagando sem rumo. Um raio ao alto de casa e lembrei das várias vacas que morreram electrocutadas na semana passada. Perguntei se viraram churrasco, que bobagem. O som da chuva aumentou. Lembrei do quanto as tempestades excitam as mulheres. Lembrei que ela não fora embora da minha cabeça, mesmo enfraquecida dos seus próprios atos. E continuaram, em silêncio, iluminando a distância. A chuva aumentou, acordou Gogh que começou a latir. Ele sempre acha que alguém tem culpa, de que a chuva é de alguém. Senti quando a chuva parou e ele baixou o pescoço sobre as patas e o pêlo preto, seu manto de sonhos foi se indo, indo, as gotinhas sobre a pedra da calçada, um alarme disparou, as nuvens cobriram as montanhas de Nova Petrópolis, O Ninho das Águias, o vento aumentou, Gogh não late para o vento mas derrubou tábuas na construção, e Gogh latiu. Nenhum carro na rua. Não voltei a ver se o junk subindo as escadarias pública do lado de casa. Um carro de motor alterado desceu o morro de paralelepípedo, outro carro. Já não era um espetáculo divino, não haviam mais as luzes dos raios, havia uma neblina e as coisas se inclinavam para o terror, quando desisti de descrever para ler o diário de Annais Nin. Uma musa louca, esperta, neurótica, repleta de qualidades e de venenos. Precisei fechar a janela pois o vento aumentou muito. Achei que os telhado fossem voar. Achei que minha irmã você acordar, acordou. Achei que eu fosse ler, e acho até que li. Pensei que alguma coisa fosse mudar se eu continuasse escrevendo, e não mudou. Fiz tudo o que realmente pensei e minha casa começava a ser um lar esgotado porque eu só nasço novamente quando sou surpreendido, por isso a leitura, porque gera o renascimento do amor, do amor próprio. Sei que li, sei que a chuva é de ninguém e sei que os raios são os meus olhos antíteses que os admira e que os teme, do mesmo modo que os conduz para que o som da chuva não termine antes do acordar, eu sonho com um som de chuva infinito, como Chopin era infinito e como os piscianos são infinitos. Devem ser.